Uma observação que pode aumentar a estatística de recuperação no tratamento da dependência química.




Há alguns anos resolver esta problemática tem sido o foco principal do meu trabalho! Observei e vivenciei as mudanças nos tratamentos e nos adictos. Os tratamentos mudaram muito de 20 anos atrás até os dias de hoje.

Antigamente a principal metodologia era o DAYTOP nas instituições terapêuticas. Hoje é o método Minnesota que esta a frente sendo utilizado. Com a chegada da droga chamada Crack (pedra) se fez necessário um tratamento mais brando, calmo. Porém, vejo que a falta do Daytop priva o adicto de algo extremamente necessário para vivenciar uma nova maneira de viver.

O Daytop proporcionava ao adicto, aceitação, disciplina, obediência, humildade, respeito, honestidade, boa vontade, mente aberta, fé, esperança, coragem, postura. Tudo o que falta a um ser adicto nos dias de hoje, não é mesmo? O Sistema é maravilhoso para desconstruir certos comportamentos obsessivos, antissocial que são pragmáticos devido a repetição de comportamento por longo período. Mudar comportamentos e crenças limitantes que foram praticadas por anos não é fácil! Por isso, o sistema Daytop é muito bom e fundamental no tratamento.

Mas o Daytop não traz só coisas boas se é isso que você está pensando! Ele corrige de verdade essa questão comportamental que é fundamental para atingir sucesso no tratamento. O Daytop corrige comportamentos como: Negação, substituição, racionalização, justificação, desconfiança dos outros, vergonha, culpa, desleixo, degradação, isolamento, a perda de controle diante das adversidades, manipulação, mentiras, crenças limitantes, ingratidão entre outros. Mas essa metodologia tem também seus agravantes apesar de resolver boa parte da problemática comportamental da doença da adicção. É comum pacientes tratados no Daytop com baixa autoestima, medo de se expressar ou arrogantes, prepotentes. Já o sistema Minnesota apresenta um tratamento mais interno o qual trabalha o desenvolvimento Psicoemocional. Esta metodologia incentiva o paciente a questionar a si mesmo para que o indivíduo tenha autonomia. Orienta o paciente a se auto avaliar revendo seus comportamentos. Proporciona uma visão mais ampla do todo. Leva o paciente a pensar “fora da caixa”, criar empatia e se por no lugar do outro. Agora vamos pensar juntos! Buscamos desenvolver um trabalho que aumente as probabilidades de recuperação não é mesmo? Apesar do Daytop e Minnesota nos proporcionar grande evolução no tratamento eles sozinhos não nos dão resultados suficiente para atingirmos índices reais de sucesso no tratamento.

O problema é que as instituições aplicam somente Daytop ou Minnesota!

É quase impossível tratar um dependente químico ou alcoolista sem que ele seja disciplinado antes e o Daytop proporciona isso. Por isso o Minnesota sozinho não apresenta melhorar as estatísticas de recuperação. Eu nunca serei capaz de ensinar uma criança de 3 anos a compreender psicanálise. Você sabe porque isso nunca vai acontecer? Porque falta a esta criança um amadurecimento da sua mente para compreender o assunto. Como posso acreditar que um ser adicto vai ter uma maior probabilidade de sucesso na recuperação se estou tentando ensinar a ele algo que ainda não é capaz de entender? Quando eu dou um tratamento baseado no Minnesota sem que o paciente tenha antes passado pelo Daytop conto com a sorte para que algum consiga se recuperar.

Eu ouço muitas pessoas falando que a maioria não vai se recuperar e depende só do paciente se recuperar”.

Se isso é verdade tenho que me questionar o motivo o qual continuo buscando estudar e melhorar o tratamento para dependência química. Porque ainda tem instituições de tratamento? Porque temos terapeutas, psicoterapeutas, Psicólogos, psiquiatras, coordenadores, monitores trabalhando no tratamento?

Mas como eu não acredito 100% nisso, não perco meu tempo!

É claro que depende da vontade do paciente para que o tratamento faça sentido, mas depende dos profissionais e instituições avaliar e questionar para criar métodos mais funcionais e assertivos para garantir uma probabilidade maior de sucesso no tratamento.

Lembra que falei no início dos pontos positivos que o Daytop oferece? Esses pontos positivos o Minnesota não oferece ou não oferece tão rápido. Lembra dos problemas que o Daytop pode ocasionar? O Minnesota resolve com maestria!

Vamos pensar assim, o Daytop desconstrói todo uma série de comportamentos antissociais inaceitáveis pela família e sociedade para ser reconstruído com princípios éticos e morais. O Minnesota vai lapidar todo esse novo ser e polir! O Daytop começa o trabalho de desconstrução de todos os comportamentos que acabaram levando o paciente a usar substâncias que alteram a mente e o humor e acabou causando a degradação do próprio ser. Após esse processo o Minnesota vai começar a fazer sentido para o paciente, pois o Daytop vai dar a ele o necessário para vivenciar na íntegra tudo o que o Minnesota pode oferecer.

E se você acredita que consegue aplicar as metodologias Daytop e Minnesota ao mesmo tempo e no mesmo ambiente de tratamento, boa sorte! Eu já vi outros tentarem e eu também tentei e por isso sei que não é possível! Você consegue unir fogo e água? Não da né! O Daytop é fogo e o Minnesota é água. As duas metodologias se complementam mas são impossíveis de serem trabalhadas no mesmo ambiente!

Juan Cebrian.

Psicoterapeuta Psicanalista Especialista no Tratamento da Dependência Química

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